Pular para o conteúdo principal

Eduardo Cunha pode se tornar réu nesta quarta-feira caso o Supremo aceite acusações

Presidente da Câmara é acusado de ter recebido propina em esquema de corrupção na Petrobras

Eduardo Cunha pode se tornar réu nesta quarta-feira caso o Supremo aceite acusações Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na semana passada, o peemedebista invocou o princípio da presunção de inocência para descartar chances de renunciarFoto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Fora do terreno sobre o qual ainda tem domínio suficiente para adiar à exaustão o processo de cassação do mandato, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enfrenta nesta quarta-feira um dia decisivo diante dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O principal item a ser examinado pela Corte na sessão desta tarde será o aceite ou não à denúncia movida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o peemedebista por corrupção e lavagem de dinheiro. Apesar de tentar minimizar o impacto da decisão do STF ao declarar que não pretende deixar o cargo se a acusação for acolhida, Cunha pode passar a carregar a pecha de réu, o que deixará cada vez mais ameaçado o futuro do polêmico político fluminense.
O julgamento desta quarta-feira não envolve o mérito da acusação. Os ministros vão apenas avaliar se há indícios suficientes para a abertura de ação penal contra o deputado. A partir do momento em que o Supremo se posicionar, começará a fase de instrução processual, com prazos para depoimentos, apresentação de provas e defesa. Na semana passada, o peemedebista invocou o princípio da presunção de inocência para descartar chances de renunciar.
— Já aconteceu comigo de ter sido declarado réu e, depois, absolvido — lembrou Cunha.
Apesar da relutância do parlamentar em reconhecer as dificuldades que enfrenta — após perder o controle sobre o processo de impeachment, viu o candidato que apoiava ser derrotado na eleição para a liderança do PMDB na Casa —, o aceite da Corte à denúncia da PGR pode abrir caminho para o seu afastamento, que é objeto de outra ação no Supremo. Nesse caso, o processo está na fase em que o deputado apresenta a defesa e não tem data para entrar em pauta no plenário. Na opinião de especialistas políticos e de líderes partidários, o Supremo reforçaria, com o peemedebista na condição de réu por corrupção e lavagem de dinheiro, uma tendência de acatar a ação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedindo a saída de Cunha do cargo. Em dezembro, Janot fez a solicitação sob a acusação de que o parlamentar se utilizava da presidência da Casa para atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato.
A investigação que será submetida à análise do plenário nesta quarta-feira diz respeito à acusação de que o peemedebista teria cobrado propinas que totalizam US$ 5 milhões para viabilizar contratos de dois navios-sonda da Petrobras. Os depoimentos do executivo da Toyo Setal Júlio Camargo e do lobista Fernando Baiano, prestados a partir de delação premiada, sustentam a denúncia da procuradoria. Segundo eles, Cunha pediu o montante em um encontro no Rio de Janeiro, em 2011. O acordo era referente a contratos que totalizavam R$ 1,2 bilhão em aluguel de navios-sonda da Petrobras. Para exigir a propina, o presidente da Câmara, na época apenas deputado, teria tentado articular investigações no Legislativo contra as empresas de Camargo.
— Se o Brasil fosse um país normal, já teria renunciado há muito tempo, mas aqui o nível de tolerância é muito alto e as situações vão se mantendo. Os advogados certamente vão dizer que não há condenação e nem motivos para afastá-lo, mas nesse cenário de abertura de processo, tudo pode acontecer. O mais provável é que Cunha busque criar algum fato novo para abafar a sua condição de réu e minimizar o impacto político contra si. Pode ser um ataque à presidente Dilma, algo mais frontal ao governo — opina Ricardo Caldas, professor de Ciência Política da UnB.
Pelo lado da oposição, o possível acolhimento da denúncia contra Cunha é visto como mais um golpe nas tentativas do peemedebista de enfraquecer o governo Dilma Rousseff e teria efeito nas manifestações marcadas para o dia 13 de março. Com um dos principais rivais da presidente na condição de réu, os governistas esperam que as vozes contrárias ao governo perderiam força nos protestos. Também contribui para isso o fato de pesquisa recente do Datafolha mostrar ampla rejeição a Cunha: 76% dos entrevistados opinaram pela sua renúncia da Câmara.
Por: Juliano Rodrigues
fonte:Zero Hora



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Trabalhar com o que ama ou com o que dá dinheiro?

Habitualmente, a resposta é a própria pergunta. Trabalhe com o que ama, usufruindo de suas vocações e o dinheiro será a consequência. Se você ama sua carreira, já tem metade do que precisa profissionalmente. E considerar: talento, vocação, propósitos e valores; capacitar-se; ter equilíbrio emocional; encontrar oportunidades, estar pronto para assumi-las e as valorizar: mais 50%. É um todo matemático que torna grande a probabilidade de dar certo (alcançar lucros e rentabilidade). Porém sabemos que não é fácil. E ao falarmos de partes, metades e conjuntos, devemos somar, subtrair e pesar certos pontos. Precisamos pensar além do "habitual". Sonhos e decepções Desde criança somos condicionados a imaginar "o que queremos ser quando crescer". Os anos passam. Nos descobrimos, somos contagiados por experiências, vivências e contaminados bombardeadamente por responsabilidades. Tão explosivas às vezes, que acabamos adiando, atrasando e até mesmo, perdendo nossos sonhos ...

BC vê inflação menor em 2017 e cenário de corte mais intenso na Selic

O Banco Central passou a ver inflação menor em 2017, ainda mais abaixo do centro da meta oficial, e também deixou claro que vai fazer uma "intensificação moderada" no ritmo de corte dos juros básicos diante da desinflação mais difundida. "A consolidação do cenário de desinflação mais difundida, que abrange os componentes da inflação mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, fortalece a possibilidade de uma intensificação moderada do ritmo de flexibilização da política monetária, em relação ao ritmo imprimido nas duas últimas reuniões do Copom", informou BC nesta quinta-feira ao publicar seu Relatório Trimestral de Inflação. Desde que iniciou o ciclo de afrouxamento, em outubro do ano passado, o BC já reduziu a Selic em 2 pontos percentuais, aos atuais 12,25 por cento ao ano. Foram dois cortes iniciais de 0,25 ponto e depois dois de 0,75 ponto. "Essa 'intensificação moderada' sinaliza que ele (BC) provavelmente está pensando num c...

Dólar fecha em leve alta, sem anúncio de intervenção do BC pelo 3ª dia

A moeda norte-americana subiu 0,15%, cotada a R$ 3,5243 na venda. Decisão sobre juros dos EUA e cenário político influenciaram o mercado. O dólar fechou em alta em relação ao real nesta quarta-feira (27), com o Banco Central não anunciando intervenção no mercado cambial pelo terceiro dia seguido e com os investidores atentos à cena política no Brasil. Além disso, no exterior, o mercado é influenciado pela decisão do Federal Reserve, banco central norte-americano, de manter os juros nos  Estados Unidos . A moeda norte-americana subiu 0,15%, cotada a R$ 3,5243 na venda.  Veja a cotação. Acompanhe a cotação ao longo do dia: Às 9h09, alta de 0,16%, a R$ 3,5249 Às 10h49,  alta de  0,22%, a R$ 3,5268 Às 11h20,  alta de  0,36%, a R$ 3,5317 Às 12h,  alta de  0,65%, a R$ 3,5419 Às 13h06,  alta de  0,55%, a R$ 3,5387 Às 13h41,  alta de  0,62%, a R$ 3,5412 Às 14h49,  alta de  0,44%, a R$ 3,5345 Às 15h30, alta de 0,15%...