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MERCADO JÁ TRABALHA COM DÓLAR A R$ 1,40

   Depois de assistir à sexta queda consecutiva do dólar em relação ao real ontem, agentes de mercado trabalham com a possibilidade de a moeda norte-americana chegar ao patamar de até R$ 1,40 no curto prazo. Ontem, o dólar registrou queda de 0,39%, para R$ 1,537, a mais baixa cotação desde 15 de janeiro de 1999, ano em que o governo de Fernando Henrique Cardoso promoveu a desvalorização da moeda, depois de quatro anos de câmbio controlado.
   Ao mesmo tempo, a cotação do ouro bate novo recorde, e ontem alcançou US$ 1.620 a onça (31,1 gramas) no mercado internacional. Para Mauriciano Cavalcanti, sócio-operador da OM DTVM, não há muito que o governo brasileiro possa fazer para segurar o câmbio. "Se o governo norte-americano resolver injetar mais dólares no mercado, a cotação com certeza vai ficar abaixo de R$ 1,50 no curto prazo", prevê.
   Ontem, o empresário Jorge Gerdau, que comanda a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade criada pelo governo, afirmou que o governo precisa definir limites para a entrada de capital estrangeiro no Brasil.
   Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou que o Brasil vai continuar tomando medidas para controlar a queda do dólar. Ele acrescentou que não deixará a guerra cambial atrapalhar o País. "Não vamos deixar a guerra cambial nos derrotar, nem a guerra comercial."
   As contas externas, por enquanto, não ajudam o controle desta cotação. O déficit em conta corrente no primeiro semestre foi recorde, acumulando R$ 25,4 bilhões, mas a entrada de investimento estrangeiro direto ficou em US$ 32,4 bilhões, também recorde. O fluxo cambial, em julho, também está positivo em US$ 10,87 bilhões, até o dia 22.
Fonte: Diário do Comércio e Indústria

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