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COOPERATIVAS DO SUL CONTRA A IMPORTAÇÃO DO LEITE

   O aumento das importações de produtos lácteos está causando prejuízos para a cadeia produtiva, especialmente no Sul do País, responsável por 30% da produção nacional de leite. Diante dessa situação, os Sindicatos e Organizações das Cooperativas dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Ocepar, Ocesc e Ocergs) estão cobrando do governo federal medidas para evitar que o problema se agrave ainda mais. “As importações brasileiras de lácteos, em sua maioria leite em pó, que representaram 51% em 2010, principalmente de origem do Mercosul (85% em 2010), são abusivas e desnecessárias pois se aproveitam das vantagens econômicas trazidas pelo sistema cambial, atualmente favorável, impactando negativamente no mercado interno”, afirmam os presidentes das três organizações João Paulo Koslovski, Marcos Antônio Zordan e Vergilio Frederico Perius, respectivamente, em ofício encaminhado aos ministros da Agricultura, Wagner Rossi, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Damata Pimentel.

Medidas:
   No documento, as três entidades solicitam que o governo aumente a TEC (Tarifa Externa Comum) de 28% para 35% para produtos lácteos. Propõem ainda a prorrogação, por mais 12 meses, do acordo entre Brasil e Argentina que limita o volume de importação em três mil e trezentas toneladas/mês de leite em pó por importador, que vence em julho de 2011. Os representantes das cooperativas do Sul também reivindicam a criação de cota para importação de leite em pó oriundo do Uruguai, nos mesmos moldes estabelecidos para Argentina e maior rigor no controle de autorizações prévias de importação para evitar que um mesmo importador ultrapasse a cota estabelecida.
 
Déficit:
    As organizações cooperativistas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ressaltam que, nos últimos três anos, a cadeia produtiva do leite vem enfrentando um cenário de constante saldo negativo na balança comercial. “No Brasil, o total das importações em 2009 representaram US$ 266,7 milhões, em 2010, US$ 336,1 milhões, e em 2011 no 1º trimestre, US$ 133,8 milhões. A condição comercial do leite está sendo agravada pelo crescente volume de importações ocorridas ao longo desses anos, e se acentuou no 1º trimestre de 2011, no qual o valor das importações cresceu 134%, em relação ao mesmo período de 2010, enquanto as exportações sofreram uma queda de 40 % em valor no mesmo período”, frisam os dirigentes cooperativistas no ofício. “Na região Sul do País, a situação merece atenção especial, pois nos últimos três anos o saldo comercial de produtos lácteos tem sido negativo. Tal resultado tem impactado o desempenho da indústria, e se continuar avançando, acarretará grandes prejuízos para toda a cadeia produtiva”, acrescentaram.
 
Produção:
   O Brasil produz uma média de 30 bilhões de litros de leite por ano. Desse total, o Paraná responde por 11,5%, o Rio Grande do Sul por 11,7% e Santa Catarina por 7,7%. As cooperativas do Sul do País são responsáveis por 12,5% da produção nacional formal. Em âmbito regional, respondem por 40% de todo o leite fiscalizado produzido nos três estados.
Fonte: Ocepar

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