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DÓLAR SOBE POR MAIOR AVERSÃO A RISCO NO EXTERIOR

   Investidores retomaram a compra de dólares nesta sexta-feira, numa sessão de giro fraco, em meio à maior aversão a risco no exterior ainda por preocupações com a crise de dívida na zona do euro. A moeda norte-americana fechou em alta de 0,35 por cento, a 1,728 real na venda, após ter alcançando 1,739 real na máxima do dia. O Banco Central manteve o script dos últimos dias e realizou o tradicional leilão de compra de dólares no mercado à vista, definindo como corte a taxa de 1,7272 real. "Tem todos esses problemas na Europa envolvendo a Irlanda e outros países, e isso está deixando o pessoal sem apetite por risco", disse Homero Guizzo, economista da LCA Consultores.
   Enquanto as operações locais encerravam, o dólar avançava 0,6 por cento contra uma cesta de divisas, em mais um dia em que temores de dívida na zona do euro derrubavam a moeda única do continente a um novo piso em dois meses. Embora um plano de socorro à Irlanda deva ser acertado até início da semana que vem, investidores ainda temem que os 85 bilhões de euros oferecidos ao país não sejam suficientes para sanear o sistema bancário do país. Além disso, o mercado teve que Portugal seja o próximo alvo de resgate financeiro. Numa tentativa de acalmar os ânimos, autoridades europeias desmentiram notícias de que Lisboa estaria sob pressão para aceitar ajuda financeira, após o Financial Times Deutschland ter reportado que alguns Estados da zona do euro querem que o governo lusitano peça ajuda para evitar que a Espanha enfrente problemas semelhantes .
   O mercado de câmbio deve seguir atento a indicadores externos na próxima semana, segundo Jason Vieira, analista internacional da Corretora Cruzeiro do Sul. "Você também vai contar com fechamento de mês e talvez tenhamos alguma volatilidade. De maneira geral vai ser uma semana de cautela", afirmou, lembrando a tradicional disputa pela Ptax, característica de final de mês. A Ptax é a taxa média ponderada do dólar, que serve de referência para a liquidação de contratos futuros e outros derivativos. A volatilidade costuma aumentar à medida que a disputa entre comprados (que apostam na alta do dólar) e vendidos (a favor da queda da cotação) se intensifica. Da pauta da próxima semana, os investidores esperam o Livro Bege na quarta-feira, que traz um panorama da economia dos Estados Unidos, e o dado geral do mercado de trabalho norte-americano, na sexta. "Tudo vai depender do humor do mercado. Se os dados vierem bons, podemos ver o dólar indo para baixo", acrescentou Vieira.

Fonte: Agência Estado

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